Tuesday, March 13, 2007

Das mais curtas pras mais longas....

Eu fui ver Taxi Driver pela primeira vez na vida hoje. Conhecia o filme "de vista", algumas falas e o resumo da história, um taxista que surta e resolve matar um ou outro cara. E é exatamente disso que o filme fala, não há melhor resumo, acho que o legal tá na simplicidade do enredo mesmo. Mas os diálogos e fluxos de pensamento de Travis dão o caráter fodão do filme. Vim, vi e gostei.

Nesse fim de semana contornei um de meus maiores medos culinários, comer sangue de animais. O prato é o "pica no chão", o que parece uma grande piada, mas é apenas o nome do frango caipira. Afinal de contas, o animal pica no chão em busca da comida. E o bicho vem acompanhado de arroz cozido em seu sangue. Confesso que não possui um bom aspecto, mas valeu a pena esquecer um pouco que aquilo era sangue e aproveitar o espetáculo de prato.

Li "O Abusado", de Caco Barcelos e agora leio "Falcão", de Celso Athaide e MV Bill. Os dois falam sobre o tráfico de drogas, o primeiro com enfoque em Marcinho VP e o Comando Vermelho e o outro mais sobre os soldados do morro. Encontrei uma intertextualidade muito louca nos dois livros, já que Caco Barcelos fala sobre Rogério Lengrueber, o Bagulhão, um dos fundadores do Comando Vermelho no presídio de Ilha Grande. Lendo Falcão, Celso Athaide dá um depoimento sobre sua própria infância, quando vendia doces nas ruas e lembra seu melhor cliente, Seu Rogério. Mesmo com diabetes, comprava o doce do moleque e ainda trazia freguesia. Seu Rogério, também conhecido como Bagulhão, foi vítima da diabetes em Bangu I e hoje suas iniciais fazem parte da sigla de toda a conversa e correspondência de sua facção criminosa: CV RL, mesmo que a maioria da nova geração do crime não saiba distinguir o significado das duas últimas letras.

Por último, rolou um churrasco de forno no apê de uns amigos dessas áreas. A churrasqueira elétrica (nessas horas eu sinto tanta falta de casa) tava estragada e as linguiças foram parar no forno. Sentados na mesa, pareciam todos dispostos como no mapa mundi. Em uma ponta, duas representantes da Turquia. O meio da mesa era dominado pelos polacos, duas garotas e um cara. O canto oposto era dominado por quatro brasileiros, que faziam fronteira com a Espanha ao norte, representada por um só. Concluí que somos todos iguais, podemos ir muito longe de casa, mas sempre encontraremos aqueles perfis parecidos com os quais convivemos aqui. Temos gostos parecidos, fazemos as mesmas perguntas e partilhamos os mesmo silêncios, uns com o cotovelo na mesa segurando o queixo, outros olhando para o alto, outros namorando o chão. Acho que deve existir um número finito de tipos de pessoas e elas se repetem pelo mundo com alguns detalhes e particularidades pequenas que não denunciem as cópias. Mas é justamente nessas singularidades que reside toda a graça de conhecer alguém.

Ouvindo: Guns & Roses - So Fine

2 comments:

Tato Carbonaro said...

Grande Triste, ótimas reflexoes e observaçoes. Mas ao final, o que deu deste churrasco???

tristinho said...

Pô...na próxima encomenda eu mando uma churrasqueira, belê?