Sobre a arte de xingar
O amor escorria por entre as entranhas e se transformava em raiva antes mesmo de sair. Pedia para parar, mas não cessava escorrer, não cessava arder, cessava amar. A raiva tentava fugir pelo cantinho do olho, tentava tremer a mão. Tentava ele se controlar, os braços cruzados na frente do peito, a perna esquerda que dobra e desdobra, contrai e relaxa. Não, não relaxa. Tensiona até a última força. Suporta. Suporta o estardalhaço das meninas que almoçam em bom som. Gritam enquanto fofocam. Treme enquanto fofocam. Bufa, respira, engole. Seco. O telefone da garota ao lado toca em cima da mesa. Limite. "Puta falta de respeito da porra, essa merda! Telefone do caralho, isso é o lugar do almoço, não é a puta da sua casa. Tomar no cu, caralho" Resiste. O pensamento não se espalha. Analisa o quanto os complementos do sujeito dão mais valor aos seus pensamentos. Respira. Levanta. Sai.
Ouvindo:Motorhead - No Class Trechinho: Shut up, you talk too loud! you don't fit in with the crowd...
¶ 2:21 PM4 comments
Wednesday, February 03, 2010
Tessália, essa música é pra você, que sempre foi alucinada por grandes emoções
É isso, amigos, deixo aqui uma música em homenagem à moça do Big Bróder Brasil.
AK 1200 & Danny Breaks tocam Deep Porn. Recomenda-se volume alto e forte. Não precisa ter vergonha, não é você que está gemendo.
Divirtam-se. Eu conheci essa música através do disco Mix Massive Party, de Elisa do Brasil, DJ francesa que apavora no Drum & Bass. Tomara que a moça goste.
Na subida do morro é diferente
Sempre ouvi essa frase no rap que tá no disco do tributo ao escadinha. Cortemos o glaglaglá que pessoa desse naipe não merece tributo e coisa e tal e vamos direto à frase.
A princípio, parece não ter um sentido muito específico, dizer que "na subida do morro é diferente" não quer dizer grandes coisas. Porém, na minha interpretação da música - e da vida, por conseguinte - isso faz um sentido tão claro que fica impossível de explicar.
Conversando com meu irmão sobre um certo acontecido e compartilhando minhas opiniões sobre o assunto com os outros, esse significado apareceu mais uma vez. A subida do morro é a particularidade de quem canta o rap. É o que acontece com ele, e só com ele. Ali é sua área. Ali é o seu acontecimento. Ali ele dá as cartas, ali ele sente.
Aí, na subida do morro é diferente. Eu tenho a subida do meu morro, as coisas que me dóem diferente de como dóem nos outros. É a minha área, é o assunto que eu domino, é ali que eu vivo, é ali que eu sinto. E ali, por mais simples que as coisas possam parecer pros outros, pra mim é diferente. O movimento é geral, o sobe-desce, sobe gente, é tudo da minha conta, tudo do meu interesse. Quem sabe em breve eu libere de novo a passagem pro alto do meu morro, mas por enquanto, o crime não é o creme e quem vacilou segue pagando.
No fim das contas, o trecho do rap é um sample dos originais do samba. segue o trecho:
O movimento é diferente, o cumprimento é diferente .........Alô como vai, como é que é } bis .........Alô como vai, como é que é } .......Como em toda jogada e jurisdição ...Tem sempre o cara que quer ser o bom Mas nossa rapaziada é bem destacada ...Não dá confiança pra esse bobão Esse é o tipo atrasado.......por fora das grandes Jogadas......desatualizado geral ......E ainda diz que é valente } Que bate faz e acontece, no meio de tanta gente } .......Ele está antecipando o seu próprio fim.
Cerca Frango 7 anos É daqui a pouquinho, literalmente. Segue abaixo o "rilize" feito pelo Paulinho Motta
Como o tempo passa rápido, não? Parece que foi ontem... agosto de 2002, o jornot tinha uma janela de aula na terça-feira. Os desbravadores Tristão, Thomaz e Crovis tiveram uma brilhante idéia. Aproveitar a janela para tomar umas brejas por aí. A idéia original era percorrer botecos próximos à faculdades como PUC, Cásper, Mackenzie, FAAP. Mas logo percebemos que o bom mesmo era fazermos nossa própria reunião, e para isso a saudosa Maracangalha e seu posto com breja gelada 24 horas serviram muito bem. Muitas amizades, alguns namoros, alguns "piruzinhos" triviais, algumas conversas geniais, começaram ali, na sala aconchegante da maraca. Também muitas ressacas foram curadas ali. Com o passar do tempo, o fim da Maraca, as viagens dos membros, trabalho, novas resposabilidades, etc, etc, muitos podiam ter desisitdo, mas não nossos bravos confrades! E é motivo de comemoração termos completado sete anos de reuniões cervejísticas semanais sem ter falhado uma única vez (ao menos durante o ano letivo). E é por isso que amanhã, finalmente, teremos a chance de brindar ao sétimo aniversário da nossa tão querida confraria. O esquema vocês já conhecem. Breja gelada em quantidades oceânicas, bolo, petiscos, pebolim, e muita emoção, tudo com o Selo Cerca Frango de Qualidade. O local não podia ser outro senão o Centro Acadêmico Luz Cósmica da ECA, o único lugar onde podemos fazer o que quisermos sem nos preocupar com Lei Anti-Fumo, Psiu, Polícia, bares fechados, cerveja cara, etc.
Esperamos a presença de todos os fritos, chamem os amigos, tragam bacias, tragam panelas!
A partir das 21h Preço: módicos R$ 15 por ser bebente
IMPORTANTE: Vocês sabem que depois das 20h só entra na USP com carteirinha, ou dando aquele miguézinho esperto. Vocês conseguem. Mas qualquer coisa, pode ligar nóis: Paulada: 7474-7474 Crovis: 8181-8888
CQC - Custe o que Custar: e se a piada for muito cara?
O que fazer quando você se propõe a fazer qualquer coisa que seja, "custe o que custar" e, ao ver que o real custo da piadinha é mais caro que qualquer um possa suportar?
Marcelo Taz provavelmente esteve diante desse dilema durante a elaboração do roteiro do programa exibido na última segunda-feira. O show comandado pelo Tibúrcio lançou o quadro "A Semana do Presidente", explicitamente chupinhado do SBT, com direito a imitação da voz do misterioso Lombardi.
Até aí, nada de mais, a piadinha era essa mesmo, satirizar o famoso programa exibido pela então TVS nos idos de mil novecentos e oitentas e xis. Se bem me lembro, essa era a hora de mudar do canal do Sílvio Santos para a Grobo e curtir os Trapalhões.
Relatando a visita do presidente Lula ao Cazaquistão, a equipe criativa encheu a tela com imagens que lembram Borat, além de outros chavões da internet, como o menino que dança break. Ainda até agora, nada de mais.
Até a hora que o narrador faz a piada mais cara que já passou por ali. Entre piadinhas de colégio como "o Lula foi ao Cazaquistão plantar batatas", o pessoal perdeu a mão e inventou que o presidente havia assinado um acordo com o Cazaquistão, the greatest country in the world. Seguindo o mote de Custe o Que Custar, o acordo consistia na entrega de lixo hospitalar brasileiro para a fabricação de mortadela por parte dos conterrâneos de Borat.
Espero que junto com o lixo hospitalar que mandaremos então pra lá esteja o pinto do mentor espiritual do CQC, talvez teria mais serventia pra mortadela do que pra qualquer outra coisa. Ou a mama esquerda da mãe dele, que vai cair em dois dias devido ao câncer que a zica brava vai botar nela hoje mesmo.
Tá vendo o que dá fazer piada a qualquer custo? Fica feio, fica forçado, fica desreipeitoso, fica a maior coisa de cuzão. Isso deve ser falta de assistir aos Trapalhões. Tô começando a achar que é melhor nem ver a Semana do Presidente pra mudar de canal. Piadinha sem graça, uma pela outra, prefiro na boca do Didi.
Tio Taz: Fica bravo não. Não vou mandar zica pra véinha e tomara que seu bilauzinho tchqui tchuqi permaneça onde está, se é que está. Afinal de contas, somos parentes.
20 ao quadrado; quanto vale a vida de um policia na capital
A polícia anda rondando a minha vida e eu desconfio o porque. Todo dia, há mais de uma semana ela anda aparecendo em cada mensagem: na TV, Leonardo Pareja diz que nunca se entregaria na mão da polícia. No blog vejo frases como "Dos nove, só sobrou um para contar o que viu"; "Rapaziada levou chumbo de potentes calibres". Frases acompanhadas de fotos que até o diabo duvida da maldade. Mas o que me fode é quando pego um jornal qualquer e leio sobre o aniversário do dia do terror em São Paulo, os ataques do PPC e a retaliação da polícia.
20 funcionários da segurança pública, entre oficiais e ordinários, foram mortos durante o ataque da facção. 400 pessoas pagaram o preço, entre criminosos e ordinários, que deixaram a terra para aplacar a dor no coração dos polícias. Sei por que a polícia apareceu tanto pra mim, talvez por causa disso que escrevi naquele dia.
Vem... Vem pra rua gambé cuzão. Vem pra cá porque aqui é seu lugar. Fica em casa não, folgado, agora é hora de ser homem. Bate na minha cara, agora tá com medo? Vem pra rua, PM cuzão, é você quem eu quero. Quero te ver na Paulista, quero você na sua base. O oitão não basta mais, cuzão? Vem pra cá, é em você que eu confio. Bota no cu de quem quer te foder, mostra que é macho pra caraio. Honra o Tobias de Aguiar. Vem que o pau é Aqui e Agora. Vem pra rua PM cuzão. Vem que o Datena tá chamando. Vem pra cá, eu tô na rua, mas cadê você? Será que se eu ligar você vem? Vem sim, tá todo mundo esperando. Vem pra rua, PM, o governador falou que tá sussa. Vem. Solta o cu da mão e vem. Sai da tocaia, limpa a cara e vem pra rua, PM cuzão. Vem pra rua gambé cuzão. Vem que eu confio em você. Vem que eu quero ver. Mostra quem manda. Mostra a "otoridade". Fala "teje preso". Bate na cara de cada um desses maloquero. Vem pra rua PM cuzão. Não esconde a farda atrás do armário. Não amarela não que não é hora. Sai desse armário, põe o colete e vem pro pau. Vem pra rua PM cuzão. Vem pra cá que a treta é agora. Vem pra rua. Vem!
Eles cumpriram a provocação. Um pouco de culpa minha. Aplicaram uma matemática copiada de tempos de guerra, quando a vida de um soldado valia X nativos. Dizem que na Sérvia a conta começou em 5 por um, depois quando viram já tava em mais de 100 pra um. Os polícia paravam o trem, contavam cem nego e mandavam o trem seguir. 100 mortos, tudo pago. Na humildade de brasileira, a polícia baixou a conta pra 20 pra um, resolveu a treta e voltou pra casa numa boa. Polícia sai do pé. Aquilo ali em cima não passa de uns escritinhos qualquer. Não era pra levar tão a sério. Viva o choque!
Cidadão Boilesen: to com raiva da ultragazBode Expiatorio:O bode expiatório era um animal que era apartado do rebanho e deixado só na natureza selvagem como parte das cerimônias hebraicas do Yom Kippur, o Dia da Expiação, à época do Templo de Jerusalém. Em sentido figurado, um "bode expiatório" é alguém que é escolhido arbitrariamente para levar a culpa de uma calamidade ou qualquer evento negativo. A busca do bode expiatório é um ato irracional de determinar que uma pessoa ou um grupo de pessoas, ou até mesmo algo, seja responsável de um ou mais problemas.
Estou com raiva da Ultragaz e, antes que venham com deduções obvias, nao é por causa da musiquinha irritante dos caminhões que ja deve ter acordado cada um de voces pelo menos umas mil vezes. Tenho uma raiva que descobri a origem hoje, mas que remonta a tempos em que não era preciso musica para vender 32 mil botijões de gas por dia em Sao Paulo. Assistindo a uma sessão do Festival "é tudo verdade", descobri o diretor do Grupo Ultra, Henning Albert Boilesen como colaborador (em maior ou menor grau, de acordo com os acusadores e defensores) direto do regime ditatorial militar.
O Grupo Ultra, além de possuir uma linha direta com a Petrobras para a compra de GLP a preços e condições que nem sua mãe ofereceria, era encabeçado por um senhor dinamarques, naturalizado brasileiro que chefiava a turma da "caixinha", que reunia-se as quintas-feiras no assombroso edificio numero 1313 da Avenida Paulista para angariar fundos para o melhor andamento da repressão policial aos terroristas de esquerda.
A patota da caixinha, chefiada pelo então ministro da fazenda Delfim Neto, enchia um abandeja de prata com cheques destinados ao financiamento da Operação Bandeirante, além de prestar apoio material através de doação de equipamentos e tecnologia para os cabeças do DOI-CoDi.
O cidadão Boilesen, reconhecido pelos entrevistados pelo seu espirito esportivo, temia a fundo o caos e a barbarie que ameaçavam o pais, refletidos na figura dos comunistas e subversivos, colocou-se com seu espirito competitivo e uma metralhadora em punho ao lado dos milicos que arquitetaram o plano executado em 64.
Parece que o cidadão levou tão a sério sua luta para defender seus direitos que passou a tomar gosto pela punição daqueles que ameaçavam o futuro da nação, participando de sessões de tortura e alcançando o requinte de inventar um aparelho de tortura que se tornou a "coqueluche" de seus companheiros da Rua Tutoia.
Com o apoio de Boilesen e muitos outros que não mostraram tanto a cara, agora era possivel torturar terroristas de maneira metodica e cientifica, indo somente até o limite da capacidade do acusado de suportar as sessões, incrementadas agora com a engenhoca trazida pelo cidadão, acionada por teclas que descarregavam correntes em diversas intensidades. A invenção rendeu uma homenagem ainda maior que a rua no Butantã que leva seu nome: ficou conhecida nos porões como a "pianola Boilesen".
Certa vez, ao receber um premio de empresario do ano, Boilesen comentou com um amigo que aquilo não era bom, era preciso ficar somente nos bastidores. Esquecido de sua convicção, o cidadão Boilesen passou a ser figura contumaz na sede do Doi Codi, reconhecido por muitos dos terroristas que por ali passaram e não demorou muito para o seu nome aparecer em uma lista negra assinada por Carlos Lamarca. Inicialmente condenado ao sequestro, o réu foi sumariamente julgado a revelia e a pena de morte levou apenas alguns meses até ser executada.
Por ironia, morreu bem ali perto do prédio onde encabeçava a caixinha. A Alameda Casa Branca, perto do 1313 da Paulista, o edificio da FIESP, foi lavada com o sangue do cidadão Boile e com o mesmo sangue foi lavada a alma de alguns dos muitos terroristas que não conseguem até hoje esconder a satisfação com o sacrificio do grande bode expiatorio.
Boilesen escolheu o bode dele, apontando nos comunistas a necessidade de limpar o pais dessa ameaça. Os comunistas sacrificaram seu bode em praça publica. Delfim Neto foi visto andando por ai recentemente. Alguém tem que pagar e todos torcem para não serem a bola da vez. E ja que dizem por ai, "antes ele do que eu", grito bem alto na rua toda vez que ouço a maldita musiquinha: eu odeio a Ultragaz!
Ficção, realidade e um pouco de reclamismo da vida e de suas (des)agradáveis surpresas. Textos apropriados para ler em silêncio ou voz alta. O autor não se responsabiliza pelo uso de sua obra fora das condições normnais de temperatura e pressão. A partir desse ponto, recomenda-se o uso de equipamento de proteção individual.
About Me
Name: Johnny Be Gód
Location: Saravá, Minas Gerais, Brazil
200 e poucos anos, pai de 12 filhos. Natural de Aguinhas, interior de São Paulo, Bigode hoje mora com sua família em Saravá do Norte - MG. Para o inverno, Bigode recomenda cachecóis coloridos e blusas em tons esfumaçados. Senhor de idade avançada, abusa do uso de chavões, lugares comuns, clichês e qualquer outra coisa do tipo.
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