Saturday, December 02, 2006

Mulheres vulgares; uma (ou duas) noite e nada mais

- Mardito coração...
- Por que, véio?
- Mardito coração, é só isso mesmo...

Ela não era o tipo que admirava desde sempre. Ela era diferente, loira, de cabelos lisos, barriga chapada, durinha. Sempre de blusinhas curtas, aquele pecado sempre à mostra. De sorriso fácil, voz doce e sotaque do sul. Fugindo ao seu padrão de gosto, mas um legítimo coração.

- Que que ela te disse?
- Que é melhor sermos amigos. Que temos uma "amizade muito especial".
- Amigo de que caraio?
- Sei lá também...

Ela era diferente. Não era igual aquela outra atendente de bar que ele também admirava. Aquela sim era seu tipo, loirinha, com cabelos encaracolados. Aliás, cabelos encaracolados era e sempre foi o que disparava seu coração. Certa vez no colégio, sentou-se atrás de uma garota só para sentir o toque de seu cabelo em seu braço, que ficava estrategicamente encostado na carteira da menina de cabelos encaracolados. Além disso, a atendente era carnuda, de seios tamanho 46, realmento do jeito que o capeta gosta.

- Mas como assim, amigos?
- Sei lá, véio, ela veio com esse papinho.
- Puta gorpinho véio...
- Foda-se...

A conquista tinah acontecido naturalmente. Dançando juntos, olhando para os olhos, mas não um olhar simples, ele usava um olhar profundo, daqueles que passam pela pupila, viajam pelo cérebro e chegam até a nuca da garota. Hipnotizante, diriam alguns. Qualquer coisa, diriam outros. Daí pro arm lock foi só mais um passinho.

- Mas você caiu no gorpinho?
- Caí nada, mas fazer o que?
- Essas mina são um cu mesmo...

Voltou ao bar para vê-la mais uma vez. Ela disse oi com um sorriso no rosto. Um misto de amizade com desejo. Seus olhos não mentiam, mas sua boca insistia em me dizer que tínhamos uma amizade muito especial. Encostou-se com as costas no balcão e ficou observando a menina com o canto do olho. Discretamente ela rebolava ao som de Manu Chao.

- Eu também acho que são meio cu, mas fazer o que?
- É, fazer o que, mano?

Era hora de ir embora. Balada cu, vazia pá caraio. Só um pouco de cerveja para abotoar o pijaminha. Era hora. Hora de dizer tchau. Caminhou até o balcão e disse tchau, logo abaixando os olhos. Ouviu outro tchau de resposta, seguido do estalo de um beijo mandado pelo (ou para) o ar. Caminhava pela rua fria pensando quem seria o felizardo a ser atingido por aquele beijo.

- Mardito coração!
- Pois é...

*Coração: termo utilizado entre amigos para designar garotas especiais. Envolve a beleza em seu aspecto global

Ouvindo: Titãs - Televisão

5 comments:

tristinho said...

É, mardito coração, mesmo! Olha a coincidência entre eu ter lido isso e o que aconteceu há meia hora atrás...
Eu tava voltando da Usp, e tava uma puta chuva. Aí, eu desci na frente do Mackenzie e tava me molhando pra caraio...atravessei a Consolação correndo, e entrei do mesmo jeito no primeiro bar que eu vi, pra me proteger da chuva. Quando eu olho pra mina sentada lendo um texto era a Pri, aquela japa que eu ficava ano passado, e que eu quase arranjei confusão com o namorado naquela cervejada na FEA. Aquela mina(e todas as outras) é um capeta. Que dom será esse o delas de aperecer nas horas menos esperadas, com os sorrisos de deixar você com aquela cara de panaca?...E o post caiu como uma luva pra minha situação também...vidente.
Abração, fei!

Tato Carbonaro said...

É amigo... Como diria o famoso John The People: "Muié é igual piscina. O custo de manutençao nao vale o tempo que passamos dentro dela"

Bigode said...
This comment has been removed by the author.
Bigode said...
This comment has been removed by the author.
Bigode said...

O pobrema é quando você gasta a maior grana na piscina e nem chega a pular nela.

Mas salve John The People, sempre com as melhores frases do mundo!