Sunday, February 04, 2007

Fechou o tempo, fechou a mão

Colaram meu amigo ontem. Saíram na mão com ele. Andou à porrada. Brigou. Tretou. Apanhou, bateu. Voltou com umas marcas no pescoço e na cara. Mas a cara de susto era o que mais me incomodava. Odeio briga. Desde a quarta série do primário que eu não mexo com isso. Agradeço pelo meu tamanho e pela cara de não mexe comigo que eu tenho. Mas depois que não tem volta, tem que ser. Fecha a mão e dá com força. É você pra um lado. O cara pra o outro. A cara de susto me incomodava muito. Queria sair dali, voltar pra rua e só dormir depois de me sujar com o sangue do filho da puta. Quem sabe levar um dente de souvenir. Adoro souvenires, mas não os compro. Têm mais valor quando levamos embora, tipo um cinzeiro, uma bandeira. Com certeza teria um bom lugar na minha casa pra colocar um ou dois dentes do filho da puta. A última coisa que eu faria era saber o nome dele. Pra colocar embaixo na moldura. "Filho da Puta, Lembrança de Portugal". Ou "Fui pra Portugal e lembrei de você". Galo de Barcelos é o caralho. E o arranhão na testa, a voz trêmula. Isso me incomodava. Mas não mais que outra coisa. Isso sim me dava vontade de sair na mão aliu dentro mesmo. Encher de porrada a cara de dois amigos que tavam junto com meu mano. Vacilaram. Pipocaram. Amarelaram. O cara chegou com o papinho tradicional de nego que quer entrar numas. O menu passa por "Ei, você não é aquele cara que mexeu com meu irmão?", "Tem um cigarro aí?". Qualquer resposta é inútil e o filho da puta vai conduzir a conversa até a hora de fechar o pau. Eram dois caras, mas só um era sangue ruim. O outro não tinha nem tamanho de homem. Do nosso lado, meu mano e mais dois. Vantagem? Vantagem o caralho. O filho da puta levou um papo que os brasileiros andam a matar portugueses, se meu mano não tinha medo dele e mais um monte de merdas. Fechou a mão e deu na cara. Gritaria. O amigo magrelo e os dois caras do nosso lado. Onde já se viu armar berreiro numa treta dessas? Vacilou, tomou o contrataque. Briga tradicional de quem não sabe lutar acaba no chão. Rola. Rola mais. Mais um pouco e o brother tava em cima do inimigo, pronto pra mostrar alguma coisa pro gajo. Aí aconteceu o que me deixou fodido pelo resto da noite. Os manos do nosso time segurando o companheiro. Gritando. Tirando a única chance do filho da puta levar um pouco do que procurava. Na briga não tem meio termo. Não tem em cima do muro. Ou você é São Paulo ou Corinhthians. O árbitro não existe. Não existe separar. Corre, chora, mas não separa. Fechou o tempo, fechou a mão. Veste a camisa e dá porrada até quando for possível. Ou até quando for preciso. Mas não separa não. Um dia vamos entrar em campo com o time titular, mais coeso. Os jogadores certos. Daí a gente arranja uns troféus pra levar pra o Brasil. Odeio violência. Odeio xenofobia no mesmo nível que odeio a porrada. Mas se o caldo já entornou, não sou eu quem passa o pano.

Ouvindo: Racionais MC´s - Trutas e Quebradas

5 comments:

worm said...

Sempre, em qualquer lugar há desses filhos da puta encrenqueiros. E mongolóides que não ajudam e ainda atrapalham.
Uns babacas que merecem mesmo uma boa sova.

Thomaz said...

- Prega fogo, Leno!
è impressionante como essa frase se encaixa perfeitamente nos mais diversos contextos...

tristinho said...

Que fita...

Mas, se o cara estiver realmente disposto a entrar numas, vai ter o troco. Em todo caso, se fique ligeiro aí...

Anonymous said...

saravah!

diogo

filipa queiroz said...

que feio isso...só espero que leves melhores lembranças de Portugal depois.Não, não me refiro ao Galo..:)