Friday, February 05, 2010

Sobre a arte de xingar

O amor escorria por entre as entranhas e se transformava em raiva antes mesmo de sair. Pedia para parar, mas não cessava escorrer, não cessava arder, cessava amar. A raiva tentava fugir pelo cantinho do olho, tentava tremer a mão. Tentava ele se controlar, os braços cruzados na frente do peito, a perna esquerda que dobra e desdobra, contrai e relaxa. Não, não relaxa. Tensiona até a última força. Suporta. Suporta o estardalhaço das meninas que almoçam em bom som. Gritam enquanto fofocam. Treme enquanto fofocam. Bufa, respira, engole. Seco. O telefone da garota ao lado toca em cima da mesa. Limite.
"Puta falta de respeito da porra, essa merda! Telefone do caralho, isso é o lugar do almoço, não é a puta da sua casa. Tomar no cu, caralho"
Resiste. O pensamento não se espalha. Analisa o quanto os complementos do sujeito dão mais valor aos seus pensamentos. Respira. Levanta. Sai.

Ouvindo: Motorhead - No Class
Trechinho: Shut up, you talk too loud! you don't fit in with the crowd...

5 comments:

Marion said...

Força e muita calma.
Qualquer coisa, estou bem aqui.
Mil beijos

Bigode said...

É nóis mano, é nóis!

Gustavo said...

Genial, mas, como eu te disse, nao tenho certeza de que as pessoas realmente se dao conta. Tem gente que nao se da respeito, e quem dira entao respeitar os outros.

lau said...

respira bem fundo...

Paulada said...

Se estourar todas as vezes em que perder a calma, vc ainda vai ficar conhecido como o cara esquentadinho!