Monday, October 29, 2007

Escolhe um Dedo

é hora de rir. Nunca havia visto um nome mais sugestivo para o programa que anima as tardes na Record, oferecendo as melhores pegadinhas da TV canadense narradas por uma apresentadora de coxas a mostra e longos cabelos loiros encaracolados comprados em algum salao da moda. o telespectador se sente compelido a rir, o nome da atraçao continua ali, no canto da tela, lembrando a todos que estao ali para rir, nao importa do que. Lembro-me de outras tardes, quando a televisao andava esquecida durante a tarde, desligadinha como deveria quase sempre estar e a pracinha em frente garantia todas as risadas que a emissora do bispo hoje oferece. Nessa época os caras da pracinha dificultavam a vida dos aspirantes a piadista soltando uma piada sempre que a anedota anterior era rejeitada por falta de graça ou por falta de aviso do piadista que "é hora de rir". Os caras mais velhos olhavam um pro outro e diziam: escolhe um dedo. O outro escolhia um dedo qualquer e o dono dos dedos fazia cocegas em si mesmo e ria desesperadamente. Era a humilhacao do piadista e naquela época eu nao entendia bem o sentido da brincadeira. Hoje chove muito durante a tarde e eu enfim entendo que "Escolhe um Dedo" daria um otimo programa de TV. Acho que falta orientaçao para o publico, dizer aos telespecatdores, pricipalmente aos mais fiéis, qual a hora de dar risada. Ensinar alternativas para o publico para eventuais falhas no processo risorio da piada. Legendas talvez seriam uteis, mais ainda excluiriam os inumeros analfabetos que assistimos televizao. Um Mestre de Cerimonias, tipo no circo. Comentarios de uma apresentadora de formas tendenciosas e trilha sonora animada por cima do enlatado canadense. Ah se os caras da pracinha estivessem ali, pederiam a conta dos dedos escolhidos e das cocegas sem efeito, do riso falso. Talvez o grande trunfo do Chaves e de outros programas que usam "claque", as risadas gravadas, ridas bem alto a cada piada. O publico acompanha o programa, se sente compelido a rir. Talvez isso lembre um pouco Fausto Silva, alias, o homem que apresenta o domingo desde que eu me lembro da TV no Domingao. o loco, meu, agora, mais do que nunca, é hora de rir com as videocassetadas. Outro domingo que me lembro bem é comandado por outro highlander, Silvio Santos. Hoje o homem, com seu microfone no pescoço (ha gente que creia que o microfone faça parte de seu corpo) usa a paciencia do telespectador para entregar a si mesmo, como o Empresario de Comunicaçao do Ano, eleito pela Revista Marketing & Essas Coisas. Silvio Santos usa sua tarde passada na casa da vo, com ressaca do sabado e indigestao da macarronada, da gelatina colorida que a tia nao falha para entregar ao Grupo SS o premio de imovel do ano, pela contrucao do hotel Xis no litoral de Santa Agripina. Escolhe um premio. Escolhe um dedo. Um dia ouvi alguem dizer que o botao que liga a Tv é o mesmo que a desliga. Na falta uma filosofia mais profunda para a minha TV brasileira, fico com essa do botao, nunca me esqueço de onde ele esta. Mas antes de desligar, resolvo mexer no botao que muda os canais e dou uma paradinha na TV Gospel. O Apostolo Leonardo veste paleto de marca com gola aberta, camisa combinando. Relogio dourado, pulseira tambem, so nao mais douradas que os aneis de doutor. Letreiros mostram, de acordo com a fala do Apostolo, os endereços do Ministerio Plenitude. Quando o Apostolo estara presente no Ministerio. Promete cultos com a presença de seus 13 profetas, convida a todos para o seu cantinho do céu. Depois de mostrar todas as vantagens do Ministerio Plenitude, é hora do espectador abençoar o Apostolo e seu Ministerio com a quantia que for possivel. Gostaria que abençoar fosse uma figura de estilo minha, mas Leonardo foi quem a criou. Podemos abençoar o Ministerio com 30, 50, 100 reais com a garantia que o Apostolo levara seu nome para rezar em cima do Monte. Agora era a hora que o Escolha um Dedo entrava em açao. Quando ele falava sobre rezar em cima do Monte, entrava a traduçao da piada com um maluco rezando em cima de uma montanha de dinheiro. Silvio Santos aparece votando em si mesmo no Concurso da Revista Marketing & Essas Coisas. é a piada garantida, nao perderemos o publico por falta de compreensao. Os pidadista nao serao mais humilhados e nunca mais os caras da pacinha vao vir com essa de Escolhe um Dedo.

Ouvindo: Ez3kiel - Versus

Wednesday, September 05, 2007

Parabéns!

O cartão era escrito em letras de forma, pequenas e desenhadas letras de forma que marcavam o papel dos dois lados. O papel era comprado a bom preço, de gosto refinado dentre opções curiosas. Dizia mais ou menos assim, enquanto observado pela balconista:

Meu irmão,

Quero dizer-te o quanto sou feliz por estar mais uma vez ao seu lado, passando mais um ano com você. Sabes bem de tudo o que nos une, que nos faz fortes e que não nos deixa esquecer de casa jamais. Sabes bem da saudade que aparecia na minha cabeça com esse seu sorriso desarmador. Que sejas tudo o que sempre desejaste ser. Ainda acho pouco falar só isso, mas qualquer desejo de felicidade escrito em uma folha de papel vai parecer vazio diante disso.

Queria que o cartão tivesse mais espaço, ou que talvez o verso não fosse tristemente invernizado, recusando a tinta da caneta apertada sobre o papel. A ponta de seu dedo toma vários tons de vermelho, de acordo com a pressão. Terminara.

-Que um dia inventemos palavras que realmente significam o que queremos dizer. Tudo será mais fácil, desejar os pêsames, os parabéns, as desculpas.
- Tenho a certeza que amar será mais fácil também, senhor. Queres um envelope?

Ouvindo: Chico Science & Nação Zumbi - Samba Makossa

Monday, August 27, 2007

Benvindo a SP, o primeiro roubo que sofri

Andava de novo por aquelas ruas. Questão de reconhecimento. Ouvindo todas as vozes da rua. Reconhecendo rostos, perfis e probabilidades. Traçando arquétipos em poucos segundos, analisando por onde andava. Confesso as saudades e a alegria de ver que estamos bem em SP. As pessoas dormindo estiradas nas calçadas continuam sem mexer com as pessoas, ficam lá, bem paradinhas. Não sabemos se estão vivas, mortas ou passando um tempo no purgatório, alheios à cidade que corre aos seus pés. Continuava avaliando tudo, a moda, o comportamento, os preços. Foi quando paguei o preço da cidade. Foi quando me distrai um pouco mais. Olhei demais pro lado. Marquei. Ela estava lá me vigiando desde a hora que eu cheguei. Quanta inocência. Não pude avaliar, talvez subestimei o perigo que ela representava. Roubou na cara dura, na luz do dia. Assim que ela me viu desprotegido, a escada rolante roubou meu chinelo. E nem fugiu, nem correu. Benvindo a São Paulo, mas não recomendo o passeio descalço.
Ouvindo: Racionais MC´s - Ao Vivo

Thursday, August 16, 2007

Small cigarrete business

-Small cigarrete business.
Era a unica frase que ele me disse repetidas vezes, sempre a piscar o olho esquerdo e a abrir um sorriso franco e misterioso. Coisa de moleque maroto, que estava a aprontar alguma e com aquele piscadela e aquele sorriso buscava meu consentimento. Sentou-se a minha frente naquela cabine suja, de estofados cor de vinho que ainda guardavam algum glamour das viagens de trem que se fazia em tempos remotos. Hoje o vagao servio que faz o demorado trecho Belgrado - Sofia nao carrega mais turistas ricos com suas familias barulhentas, nem homens de negocios com suas maletas de couro cheias de traquitanas, codigos, dinheiros e papeis valiosos. Sao apenas moleques viajantes com mochilas grandes e sujas pelas noites maldormidas em estaçoes, moleques que veem do brasil, da Holanda, da Espanha. O vagao acrrega sujeira, descuido, banheiros porcos. Parece que ha muito nao recebe passageiros dignos de sua limpeza. O controlador serve turkish kaveshi (o cafe turco, feito sem filtrar o po) pela modica quantia de 80 dinares servios. Nada mais para espantar a fome ou o sono.

A maior parte dos viajantes é composta por novos homens e mulheres de negocios, que carregam malas feitas em tecido barato, malas quadradas que nao contem mais os documentos, nao contem mais os papeis de outrora. As malas sao muitas e quadradas e carregam mercadoria que se transforma em ouro pelo simples cruzar de uma fronteira.

-Small cigarrete business.

O homem repete a frase, com a mesma piscada e o mesmo sorriso. Sorrio de volta dando o consentimento que ele tanto esperava. Neste momento meu amigo contrabandista transforma-se em um imparavel trabalhador. Bom seria se a companhia ferroviaria servia tivesse funcionarios tao preocupados com os trens como o homem que agora tirava a camiseta, exibindo uma tatuagem de estilo carcerario que dizia "ANA", sacou seus tenis Nike e logo estava pendurado nos braços das poltronas, com duas chaves de fenda na boca. Diante de mim ele desparafusava com maestria o teto da cabine e, em menos de 5 minutos, ele tinha o esconderijo perfeito para mais de 20 pacotes de Viceroy adquiridos em territorio servio. Como um ritual, sentou-se de frente para mim, calçou os tenis, vestiu a camiseta, piscou, sorriu e disse:
-Small cigarrete business.

O trecho entre Belgrado e Sofia possui 329 km de distancia e é percorrido pacientemente pelo trem em 8 horas, que sao passadas de maneiras distintas pelos passageiros. Os mochileiros dormem, olham pela janela, comem porcarias, contam historias e fazem planos para a Bulgaria. Ja os contrabandistas, que aumentavam a cada parada e ja dominavam facilmente o vagao passavam o tempo a negociar, sempre a mudar de cabine, a esconder coisas, a fazer e a receber ligaçoes no celular, numa tensao constante que fica estampada nos rostos de servios e albaneses que ganham a vida transformando 8 euros em 50 euros no final da viagem.

O amigo contrabandista teve um estalo e de repente, levantou-se diante de mim, piscou, sorriu, desta vez nao disse nada e começou mais uma vez o ritaul. Tenis, camiseta, chaves de fenda e rapidamente retitou parte do estoque de minha cabine e sumiu pelo trem. Acredito que ele fez isso umas 10 vezes, sempre seguindo o mesmo ritual, andando pra la e pra ca no trem. Foram tantas as mudancas que eu nao sei se ainda restava algo em minha cabine, o homem era imparavel e se ele conseguiu me confundir, eu que estava no trem desde o inicio, imagina o que ele podia fazer com a policia?

Depois de milhares de paradas em locais improvaveis e inexplicaveis (talvez a explicaçao para como percorrer 329 km em 8 horas), sobem ao trem os passageiros mais esperados pela parte nativa dos passageiros: a policia bulgara, composta pelos policiais "federais", vestidos em calças verdes e camisas brancas descuidadamente deixadas para fora das calças e a policia alfandegaria, vestida de brim azul um pouco mais bem cuidado. A policia federal passa primeiro a pedir passaportes com um olhar bastante parecido com o do amigo contrabandista. Um olhar um pouco desconfiado, de canto de olho, sempre a esperar pela sua reaçao. Tipo "sei bem que voce ta fazendo coisa errada, confessa logo que é mais facil".
-BraZil!!! Ronaldinho!!
-Yeah!!! Bulgaria!! Stoitchkov!!!
-Yes, Stoitchkov!!

Esse era o tipo de conversa que os policias do leste europeu costumavam ter comigo e o policial gordinho, com cara de filme bulgaro (acho que nunca assisti um filme bulgaro, mas com certeza teria um ator com a cara dele) nao decepcionou e lembrou-me de nosso craque de dentes tortos que abre portas assim como Pelé fez um dia. Depois dos passportes, era a vez da pergunta "anything to declare"? Nada alem de roupas sujas, uma maquina fotografica barata, um pacote de biscoitos, um pouco de tabaco e coisas pessoais. Mas eles nao estavam preocupados comigo, passavam pelas cabines com o olhar caracteristico, "eu conheço voces, sei bem o que voces tem, precisamos conver$ar). Passaportes passam para as maos dos policiais recheados de dinheiro num lugar onde 20 euros poder ser a diferença entre o sim e o nao. Os homens de azul olham com desprezo as malas quadradas e todos andam de um lado para o outro a conversar baixinho, uma negociaçao eterna. Nosso amigo parecia ter uma posiçao de liderança e passava por todas as cabines. De frente para mim um outro contrabandista, mais velho e menos ritualistico, arrumava um pacote, um tipo de "Happy Meal" em caso de nece$$idade: um litro de J&B e dois pacotes de Viceroy.

A negociaçao é ininitas, policiais entram e saem das cabines, mexem nos bolsos, fazem perguntas, ameaças. Do lado de fora do trem, os federais conversam sempre em segredo, com olhar grave. Nunca desejei tanto saber falar servio ou bulgaro, entender os termos que eles usavam. Imagina como fica em servio :"ai, mano, sujou pra voce, voce vai rodar com esse monte de cigarro ai, vamo te jogar na cadeia... é talvez temos um outro jeito pra resolver a situçao" .

Ficamos mais de uma hora e meia parados na fronteira. Agora era a vez das policias fazerem o acerto entre elas. Dinheiro vai, dinehiro vem, tudo na cara dura mesmo, nao ha testemunhas, ha contrabandistas, policiais corruptos e viajantes que nao entendem e nao falam um caralho na lingua local, totalmente desacreditados no caso de qualquer denuncia. Um contabandista é levado para longe dos olhares curiosos dos moleques holandeses, que acham tudo exotico, sempre tudo é uma grande experiencia. Brasileiros ficam um pouco mais preocupados quando a policia leva alguem de canto, mas era so para tirar mais um dinheiro de um contrabandista em particular. Sai da janela e sentei em minha cabine, onde o senhor guardava o pacote, desse vez nao precisou de tanto, o dinheiro foi suficiente para sustentar os pobres policiais bulgaros ate a chegada do proximo trem.

Tentei sair do trem para buscar algo para comer na estacao onde estavamos parados, mas recebi a gentil ordem de um dos chefes da quadrilha (de policiais):

-Back in vagon!

Sem problemas, senhor, estou aqui para obedecer. Alegremente, meu amigo contrabandista sai do trem, vai até o café e volta com dois copos de leite achocolatado. Sorri para o policial chefe e sobe no vagao. Era hora de partir. O trem sai lentamente da estacao fronteiriça, o tabaco havia virado ouro, a mercadoria estava a salvo. Contrabandistas seguem com infinitas negociaçoes, agora a moeda que manda é o euro. Meu amigo senta-se, pisca e sorri. Oferece-me um cigarro, nada de Viceroy, ele fuma Dunhill.
-This is my small cigarrete business.

Ouvindo: AC/DC - TNT (tinha um moleque bulgaro no trem, que desceu numa estacao que ficava no meio do nada que nos presenteou com um MP3 player com uma seleçao de roquenrol de responsa e umas caixinhas de som. Depois de umas duas horas de viagem, ele ligou o lance logo com TNT. Nessas horas temos a certeza que existe algum plano superior)

Friday, July 27, 2007

Vida cigana

Lembro-me bem, quer dizer, lembro-me mais ou menos de um certo episodio que marcou a minha infancia: o casamento de Gian&Giovanni. Sei que cada um dos membros da dupla é uma pessoa so, mais assim como o Sandy&Junior é filho do Chitaozinho&Xororò, quem casou naquela época foi o Gian&Giovanni. Digo que me lembro mais ou menos porque me escapa o nome do salao de cabeleireiro que era administrado pela familia da noiva. Foi a primeira vez que eu vi a palavra "coifure" na minha vida e ate ha uns meses atras ainda nao fazia ideia do que se tratava, apena imaginava que fosse uma invencao dos saloes de beleza do interior para atrair mais clientes, ja que o que é desconhecido definitivamente chama atencao. O salao ficava na esquina da "pracinha", onde iniciei-me no futebol, nos jogos de guerra com armas feitas de pau, no "bolibete" (tambem conhecido como taco) e ate onde certa vez fui Caça Fantasmas no dia depois à estreia do filme na Tela Quente. Em cima do salao morava a Camarga, a velha louca que corria atras das criancas e que povoava o imaginario da molecada. Camarga era inimiga mortal de GT, o grande mentor espiritual da turma e de Churrasco, o unico preto da vizinhanca. Acontece que um belo dia, enquanto investiamos nosso tempo observando a Camarga em sua janela (imaginem a Bruxa do 71, era "igual que nem"), um carro importado, coisa rara na epoca, parou em frente ao salao de coifure e parou o tempo e o espaco em nosso mundo da "pracinha". Nao se se foi o Gt, se foi o Churrasco, se foi o Perna, o Bocao, a Marilei ou a Claudia (minha tia mais nova tambem fazia parte da trupe) que chegou com a novidade:
- ... é o carro do Gian&Giovanni, ele vai casar com a filha da dona do salao.
O Gian&Giovanni havia recentemente ganhado o mercado nacional musical e saber que ele estava ali, no salao de coifure, ao lado da pracinha era demais para nos. Deixamos a Camarga à vontade em sua janela e voltamos cada um a sua casa (ou casa da vò, no meu caso) para espalhar a novidade. Longos sao os tempos sem pisar na "pracinha", a ultima vez que eu passei por la ela parecia bem menor e menos encantadora, acho que acontece quando se é crianca de achar que as coisas sao maior que realmente sao. Longos sao os tempos sem pisar naquela cidade, foram 5 mudancas, nao sei se conheco mais alguem que nao seja da minha familia por la. O mundo da muitas voltas e a gente da outras voltas em torno dele. Mas tenho a certeza que um dia volto la, que um dia o Gian&Giovanni vai parar o carro bem perto de mim e sentirei todo aquele poder de novo. Mas a certeza que mais me domina nesse exato momento é que logo volto a ver o que tenho de mais precioso em minha vida. Logo seus olhinhos azuis vao encher-se de alegria e sorrir mais que sua boca e suas lagrimas lavarao toda a tristeza acumulada ao longo desses 22 dias que fico longe. Ai nesse dia, quando eu voltar, poderei cantar bem baixinho no seu ouvido um sucesso do Gian&Giovanni, que é mais ou menos assim, canta comigo:

Vida Cigana*
Oh meu amor não fique triste,
saudade existe pra quem sabe ter,
minha vida cigana me afastou de você,
por algum tempo vou ter que viver
por aqui longe de você,
longe do seu carinho e do seu olhar
que me acompanha, já tem muito tempo,
penso em você a cada momento.
sou água de rio que vai para o mar,
sou nuvem nova que vem pra molhar
essa noiva que é você.
pra mimvocê é linda, a dona do meu coração
que bate tanto quando te ve
é a verdade que me faz viver...

*composicao de Geraldo Spindola

Ouvindo: La femme chocolate - Olivia Ruiz

PS: Todo o post foi uma enrolacao para poder publicar essa musica sem passar tanta vergonha, mas o fato é que eu gosto dela, entre outras musicas sertanejas. Nao gostou, "be water, my friend" .

Tuesday, July 24, 2007

Rapidinhas em Dublin

Sinto saudades. Muitas. Amo-te, mon coeur.

Ando muito, mas muito mesmo. Meus pes doem, mas acho que eh a melhor maneira de conhecer as cidades.

Nas andancas, sempre procuro a refeicao mais barata possivel. Com bastante gordura. Batatas fritas sao bem vindas. Se for kebab, perfeito.

O verdadeiro cafe da manha dos campeoes eh servido na Irlanda: ovo frito, bacon, salsicha, feijao, bolinhos de carne e batatas fritas.

O condimento eh o que alimenta. Sempre coloco bastante na comida. Certo dia coloquei no prato maionese, ketchup, mostarda, brown sauce e molho de hortela. So faltou colocar vinagre para usar todos os saches do local.

Hoje tomarei uma cerveja pela Cerca Frango. Acho que eh a primeira vez que passo uma terca feira sozinho nos ultimos cinco anos.

Outro dia conto mais. Sinto saudades. Amo. Muito.

Ouvindo: Selecao que ta repetindo no iPobre...
Elisa do Brasil - D&B bem quente... a piada eh que a tal da Elisa nao eh brasileira
Kabul Workshop - bom tambem
Ez3kiel - hip hop frances soh pra nao esquecer a nova lingua
Jorge Ben - A Tabua de Esmeralda

Thursday, July 05, 2007

A ironia da vida

Tentei escrever algo que resumisse o que eu penso sobre coisas de meu cotidiano, mas Carlos Drummond de Andrade ja conseguiu condensar a ideia nesse poema, que gosto desde que eu era criança:

Quadrilha
João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim
que amava Lili que não amava ninguém.
João foi para o Estados Unidos,
Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre,
Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e
Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.

Pois é, a vida é assim. As vezes planejamos as coisas e elas nao dao certo. E outras coisas marvilhosas acontecem depois. Sem ressentimentos, sem ironias, deixemos que a vida se encarregue delas.

Ouvindo: Jorge Ben - O namorado da viuva