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Wednesday, February 03, 2010

Tessália, essa música é pra você, que sempre foi alucinada por grandes emoções



É isso, amigos, deixo aqui uma música em homenagem à moça do Big Bróder Brasil.

AK 1200 & Danny Breaks tocam Deep Porn. Recomenda-se volume alto e forte. Não precisa ter vergonha, não é você que está gemendo.

Divirtam-se. Eu conheci essa música através do disco Mix Massive Party, de Elisa do Brasil, DJ francesa que apavora no Drum & Bass. Tomara que a moça goste.

Ouvindo: The Profesionals - Flava' 4 Raver

Tuesday, January 26, 2010

Na subida do morro é diferente

Sempre ouvi essa frase no rap que tá no disco do tributo ao escadinha. Cortemos o glaglaglá que pessoa desse naipe não merece tributo e coisa e tal e vamos direto à frase.

A princípio, parece não ter um sentido muito específico, dizer que "na subida do morro é diferente" não quer dizer grandes coisas. Porém, na minha interpretação da música - e da vida, por conseguinte - isso faz um sentido tão claro que fica impossível de explicar.

Conversando com meu irmão sobre um certo acontecido e compartilhando minhas opiniões sobre o assunto com os outros, esse significado apareceu mais uma vez. A subida do morro é a particularidade de quem canta o rap. É o que acontece com ele, e só com ele. Ali é sua área. Ali é o seu acontecimento. Ali ele dá as cartas, ali ele sente.

Aí, na subida do morro é diferente. Eu tenho a subida do meu morro, as coisas que me dóem diferente de como dóem nos outros. É a minha área, é o assunto que eu domino, é ali que eu vivo, é ali que eu sinto. E ali, por mais simples que as coisas possam parecer pros outros, pra mim é diferente. O movimento é geral, o sobe-desce, sobe gente, é tudo da minha conta, tudo do meu interesse. Quem sabe em breve eu libere de novo a passagem pro alto do meu morro, mas por enquanto, o crime não é o creme e quem vacilou segue pagando.

No fim das contas, o trecho do rap é um sample dos originais do samba. segue o trecho:

O movimento é diferente, o cumprimento é diferente
.........Alô como vai, como é que é }
bis
.........Alô como vai, como é que é }
.......Como em toda jogada e jurisdição
...Tem sempre o cara que quer ser o bom
Mas nossa rapaziada é bem destacada
...Não dá confiança pra esse bobão
Esse é o tipo atrasado.......por fora das grandes
Jogadas......desatualizado geral
......E ainda diz que é valente }
Que bate faz e acontece, no meio de tanta gente }
.......Ele está antecipando o seu próprio fim.

Ouvindo: Kl Jay + Xis - A Fuga

Tuesday, June 23, 2009

CQC - Custe o que Custar: e se a piada for muito cara?

O que fazer quando você se propõe a fazer qualquer coisa que seja, "custe o que custar" e, ao ver que o real custo da piadinha é mais caro que qualquer um possa suportar?

Marcelo Taz provavelmente esteve diante desse dilema durante a elaboração do roteiro do programa exibido na última segunda-feira. O show comandado pelo Tibúrcio lançou o quadro "A Semana do Presidente", explicitamente chupinhado do SBT, com direito a imitação da voz do misterioso Lombardi.

Até aí, nada de mais, a piadinha era essa mesmo, satirizar o famoso programa exibido pela então TVS nos idos de mil novecentos e oitentas e xis. Se bem me lembro, essa era a hora de mudar do canal do Sílvio Santos para a Grobo e curtir os Trapalhões.

Relatando a visita do presidente Lula ao Cazaquistão, a equipe criativa encheu a tela com imagens que lembram Borat, além de outros chavões da internet, como o menino que dança break. Ainda até agora, nada de mais.

Até a hora que o narrador faz a piada mais cara que já passou por ali. Entre piadinhas de colégio como "o Lula foi ao Cazaquistão plantar batatas", o pessoal perdeu a mão e inventou que o presidente havia assinado um acordo com o Cazaquistão, the greatest country in the world. Seguindo o mote de Custe o Que Custar, o acordo consistia na entrega de lixo hospitalar brasileiro para a fabricação de mortadela por parte dos conterrâneos de Borat.

Espero que junto com o lixo hospitalar que mandaremos então pra lá esteja o pinto do mentor espiritual do CQC, talvez teria mais serventia pra mortadela do que pra qualquer outra coisa. Ou a mama esquerda da mãe dele, que vai cair em dois dias devido ao câncer que a zica brava vai botar nela hoje mesmo.

Tá vendo o que dá fazer piada a qualquer custo? Fica feio, fica forçado, fica desreipeitoso, fica a maior coisa de cuzão. Isso deve ser falta de assistir aos Trapalhões. Tô começando a achar que é melhor nem ver a Semana do Presidente pra mudar de canal. Piadinha sem graça, uma pela outra, prefiro na boca do Didi.

Tio Taz: Fica bravo não. Não vou mandar zica pra véinha e tomara que seu bilauzinho tchqui tchuqi permaneça onde está, se é que está. Afinal de contas, somos parentes.

Ouvindo: Cascavelletes - O Dotadão Deve Morrer

Tuesday, March 31, 2009

Cidadão Boilesen: to com raiva da ultragaz

Bode Expiatorio:O bode expiatório era um animal que era apartado do rebanho e deixado só na natureza selvagem como parte das cerimônias hebraicas do Yom Kippur, o Dia da Expiação, à época do Templo de Jerusalém. Em sentido figurado, um "bode expiatório" é alguém que é escolhido arbitrariamente para levar a culpa de uma calamidade ou qualquer evento negativo. A busca do bode expiatório é um ato irracional de determinar que uma pessoa ou um grupo de pessoas, ou até mesmo algo, seja responsável de um ou mais problemas.

Estou com raiva da Ultragaz e, antes que venham com deduções obvias, nao é por causa da musiquinha irritante dos caminhões que ja deve ter acordado cada um de voces pelo menos umas mil vezes. Tenho uma raiva que descobri a origem hoje, mas que remonta a tempos em que não era preciso musica para vender 32 mil botijões de gas por dia em Sao Paulo. Assistindo a uma sessão do Festival "é tudo verdade", descobri o diretor do Grupo Ultra, Henning Albert Boilesen como colaborador (em maior ou menor grau, de acordo com os acusadores e defensores) direto do regime ditatorial militar.

O Grupo Ultra, além de possuir uma linha direta com a Petrobras para a compra de GLP a preços e condições que nem sua mãe ofereceria, era encabeçado por um senhor dinamarques, naturalizado brasileiro que chefiava a turma da "caixinha", que reunia-se as quintas-feiras no assombroso edificio numero 1313 da Avenida Paulista para angariar fundos para o melhor andamento da repressão policial aos terroristas de esquerda.

A patota da caixinha, chefiada pelo então ministro da fazenda Delfim Neto, enchia um abandeja de prata com cheques destinados ao financiamento da Operação Bandeirante, além de prestar apoio material através de doação de equipamentos e tecnologia para os cabeças do DOI-CoDi.

O cidadão Boilesen, reconhecido pelos entrevistados pelo seu espirito esportivo, temia a fundo o caos e a barbarie que ameaçavam o pais, refletidos na figura dos comunistas e subversivos, colocou-se com seu espirito competitivo e uma metralhadora em punho ao lado dos milicos que arquitetaram o plano executado em 64.

Parece que o cidadão levou tão a sério sua luta para defender seus direitos que passou a tomar gosto pela punição daqueles que ameaçavam o futuro da nação, participando de sessões de tortura e alcançando o requinte de inventar um aparelho de tortura que se tornou a "coqueluche" de seus companheiros da Rua Tutoia.

Com o apoio de Boilesen e muitos outros que não mostraram tanto a cara, agora era possivel torturar terroristas de maneira metodica e cientifica, indo somente até o limite da capacidade do acusado de suportar as sessões, incrementadas agora com a engenhoca trazida pelo cidadão, acionada por teclas que descarregavam correntes em diversas intensidades. A invenção rendeu uma homenagem ainda maior que a rua no Butantã que leva seu nome: ficou conhecida nos porões como a "pianola Boilesen".

Certa vez, ao receber um premio de empresario do ano, Boilesen comentou com um amigo que aquilo não era bom, era preciso ficar somente nos bastidores. Esquecido de sua convicção, o cidadão Boilesen passou a ser figura contumaz na sede do Doi Codi, reconhecido por muitos dos terroristas que por ali passaram e não demorou muito para o seu nome aparecer em uma lista negra assinada por Carlos Lamarca. Inicialmente condenado ao sequestro, o réu foi sumariamente julgado a revelia e a pena de morte levou apenas alguns meses até ser executada.

Por ironia, morreu bem ali perto do prédio onde encabeçava a caixinha. A Alameda Casa Branca, perto do 1313 da Paulista, o edificio da FIESP, foi lavada com o sangue do cidadão Boile e com o mesmo sangue foi lavada a alma de alguns dos muitos terroristas que não conseguem até hoje esconder a satisfação com o sacrificio do grande bode expiatorio.

Boilesen escolheu o bode dele, apontando nos comunistas a necessidade de limpar o pais dessa ameaça. Os comunistas sacrificaram seu bode em praça publica. Delfim Neto foi visto andando por ai recentemente. Alguém tem que pagar e todos torcem para não serem a bola da vez. E ja que dizem por ai, "antes ele do que eu", grito bem alto na rua toda vez que ouço a maldita musiquinha: eu odeio a Ultragaz!

Ouvindo: Roots Manuva - Witness

Thursday, May 01, 2008

Regurgitando na frente da TV

Aos 38, o jogo ainda pode esquentar bastante até os 45. Maldito calor proposital, controlado pelo visitante, direto do banco de reservas. Quem foi que inventou esse negocio de estadios cobertos? A alma do futebol, o imprevisto, tenta aparecer, mas é barrado pelo teto de ultima geraçao. Ta com duvida? Filosofe como o mineiro, coce a cabeça e recomece seu pensamento com um "uai". Mude os 38 para o tempo de jogo; jogue a primeira idéia fora. Mude o canal e jogue o jogo de artistas que vendem segredos as nove da manha. Sera que so a Simony revelaria segredos de alcova por dois mil reais? O diretor negocia um preço digno a ser pago por um nome "de conhecimento do publico". O telefone toca. Nao o do diretor, sim o meu. A macaca ta solta, gente disposta a vestir a camisa e empurrar com força contra os esmeraldinos. Dessa vez em estadio comum, sujeito a chuvas, trovoadas e rajadas de pimenta. Para o mundo que eu quero descer, a idéia de que tudo esta dado me incomoda ao ponto de repensar quem é o verdadeiro responsavel por esses escritos. Li escondido que as verdades virtuais permanecem no virtual. Como sou virtual so quando escrevo, quem escreve é virtual. Nao respira fora d'agua. Escrevo, logo existo. Mas so aqui. nao pergunte quem foi, pois os laudos serao sempre inconclusivos. Boa noite e boa sorte.

Lendo: Michel Melamed - Regurgitofagia