Friday, March 12, 2010

Breve homenagem a Glauco




Posso dizer que sou quase intocável pela violência, quase não me emociono com nada. Hoje ao chegar na firma me deu um negócio escroto ao saber da morte do Glauco, um embrulho no estômago, um arrepio maligno. Resumindo, quase chorei. Bandido safado, tu vai tombar na próxima curva. A diferença é que o Glauco vai ter enterro, tu vai pra cova rasa.

Mais do Glauco.

Ouvindo: Deep Purple - Sometimes I Fell Like Screaming

Wednesday, March 10, 2010

O correto homem que pagava seus impostos

Indignado, o cidadão anda na rua mostrando a todos suas infinitas notas fiscais, todas emitidas em três vias, a branca pro cliente, amarela pro comerciante e a rosa pra receita federal.

Gritava com olhar perdido, dividindo o horror que é pisar nas ruas, declamando decor e salteado seu número de contribuinte, sua senha do iTunes e seus rendimentos com a última restituição do IR.

Gabava-se de seus DVDs originais, de nunca ter patrocinado nenhum pirata, de nunca ter falhado com suas obrigações, seja na cama, seja na urna. Assim como loucos pregando o fim do mundo, pregava ele ao léu a sua certeza de ser bom, correto, honesto, legal, atencioso, preocupado, altruísta, construtivo e outros adjetivos que perdi no meio de sua loucura.

Olhavam-no com desprezo ou curiosidade, xingavam-lhe, não lhe davam bola. Era só mais um louco que tentava vender sua loucura pelas ruas de São Paulo. Quase ninguém prestava atenção no homem que fazia de tudo por um país melhor.

Aí que surge um moleque, ao lado de outro moleque. As caras sujas denunciavam a falta de casa e o exagero de loucura que a rua oferece quase de graça para os destemidos.

Gabava-se de seus feitos, de nunca ter feito uma lição de casa, de nunca ter comprado quase nada, nunca tinha pegado uma nota fiscal na mão e achava que imposto era nome de jogo ou de cidade.

Esse era quase o único espectador da pregação do primeiro louco, começou a prestar atenção nele enquanto gritava algo sobre "essa merda de país tá uma bosta". A frase chamou a atenção porque o menino adorava palavrão. O menino logo cresce os zóio no telefone gringo na mão do profeta e aproveita seu devaneio para tomar o precioso das mãos do correto pagador de impostos.

No meio da confusão um pedaço de papel branco cai no chão, a nota fiscal do telefone novo, propriedade privada de direito inalienável. O moleque não dá bola. Não seria aquela a primeira nota fiscal de sua vida.

Ouvindo: Blasted Mechanism - Battle of Tribes

Friday, February 05, 2010

Sobre a arte de xingar

O amor escorria por entre as entranhas e se transformava em raiva antes mesmo de sair. Pedia para parar, mas não cessava escorrer, não cessava arder, cessava amar. A raiva tentava fugir pelo cantinho do olho, tentava tremer a mão. Tentava ele se controlar, os braços cruzados na frente do peito, a perna esquerda que dobra e desdobra, contrai e relaxa. Não, não relaxa. Tensiona até a última força. Suporta. Suporta o estardalhaço das meninas que almoçam em bom som. Gritam enquanto fofocam. Treme enquanto fofocam. Bufa, respira, engole. Seco. O telefone da garota ao lado toca em cima da mesa. Limite.
"Puta falta de respeito da porra, essa merda! Telefone do caralho, isso é o lugar do almoço, não é a puta da sua casa. Tomar no cu, caralho"
Resiste. O pensamento não se espalha. Analisa o quanto os complementos do sujeito dão mais valor aos seus pensamentos. Respira. Levanta. Sai.

Ouvindo: Motorhead - No Class
Trechinho: Shut up, you talk too loud! you don't fit in with the crowd...

Wednesday, February 03, 2010

Tessália, essa música é pra você, que sempre foi alucinada por grandes emoções



É isso, amigos, deixo aqui uma música em homenagem à moça do Big Bróder Brasil.

AK 1200 & Danny Breaks tocam Deep Porn. Recomenda-se volume alto e forte. Não precisa ter vergonha, não é você que está gemendo.

Divirtam-se. Eu conheci essa música através do disco Mix Massive Party, de Elisa do Brasil, DJ francesa que apavora no Drum & Bass. Tomara que a moça goste.

Ouvindo: The Profesionals - Flava' 4 Raver

Tuesday, January 26, 2010

Na subida do morro é diferente

Sempre ouvi essa frase no rap que tá no disco do tributo ao escadinha. Cortemos o glaglaglá que pessoa desse naipe não merece tributo e coisa e tal e vamos direto à frase.

A princípio, parece não ter um sentido muito específico, dizer que "na subida do morro é diferente" não quer dizer grandes coisas. Porém, na minha interpretação da música - e da vida, por conseguinte - isso faz um sentido tão claro que fica impossível de explicar.

Conversando com meu irmão sobre um certo acontecido e compartilhando minhas opiniões sobre o assunto com os outros, esse significado apareceu mais uma vez. A subida do morro é a particularidade de quem canta o rap. É o que acontece com ele, e só com ele. Ali é sua área. Ali é o seu acontecimento. Ali ele dá as cartas, ali ele sente.

Aí, na subida do morro é diferente. Eu tenho a subida do meu morro, as coisas que me dóem diferente de como dóem nos outros. É a minha área, é o assunto que eu domino, é ali que eu vivo, é ali que eu sinto. E ali, por mais simples que as coisas possam parecer pros outros, pra mim é diferente. O movimento é geral, o sobe-desce, sobe gente, é tudo da minha conta, tudo do meu interesse. Quem sabe em breve eu libere de novo a passagem pro alto do meu morro, mas por enquanto, o crime não é o creme e quem vacilou segue pagando.

No fim das contas, o trecho do rap é um sample dos originais do samba. segue o trecho:

O movimento é diferente, o cumprimento é diferente
.........Alô como vai, como é que é }
bis
.........Alô como vai, como é que é }
.......Como em toda jogada e jurisdição
...Tem sempre o cara que quer ser o bom
Mas nossa rapaziada é bem destacada
...Não dá confiança pra esse bobão
Esse é o tipo atrasado.......por fora das grandes
Jogadas......desatualizado geral
......E ainda diz que é valente }
Que bate faz e acontece, no meio de tanta gente }
.......Ele está antecipando o seu próprio fim.

Ouvindo: Kl Jay + Xis - A Fuga

Tuesday, September 15, 2009

Cerca Frango 7 anos


É daqui a pouquinho, literalmente.
Segue abaixo o "rilize" feito pelo Paulinho Motta

Como o tempo passa rápido, não? Parece que foi ontem... agosto de 2002, o jornot tinha uma janela de aula na terça-feira. Os desbravadores Tristão, Thomaz e Crovis tiveram uma brilhante idéia. Aproveitar a janela para tomar umas brejas por aí. A idéia original era percorrer botecos próximos à faculdades como PUC, Cásper, Mackenzie, FAAP. Mas logo percebemos que o bom mesmo era fazermos nossa própria reunião, e para isso a saudosa Maracangalha e seu posto com breja gelada 24 horas serviram muito bem. Muitas amizades, alguns namoros, alguns "piruzinhos" triviais, algumas conversas geniais, começaram ali, na sala aconchegante da maraca. Também muitas ressacas foram curadas ali. Com o passar do tempo, o fim da Maraca, as viagens dos membros, trabalho, novas resposabilidades, etc, etc, muitos podiam ter desisitdo, mas não nossos bravos confrades! E é motivo de comemoração termos completado sete anos de reuniões cervejísticas semanais sem ter falhado uma única vez (ao menos durante o ano letivo). E é por isso que amanhã, finalmente, teremos a chance de brindar ao sétimo aniversário da nossa tão querida confraria. O esquema vocês já conhecem. Breja gelada em quantidades oceânicas, bolo, petiscos, pebolim, e muita emoção, tudo com o Selo Cerca Frango de Qualidade. O local não podia ser outro senão o Centro Acadêmico Luz Cósmica da ECA, o único lugar onde podemos fazer o que quisermos sem nos preocupar com Lei Anti-Fumo, Psiu, Polícia, bares fechados, cerveja cara, etc.

Esperamos a presença de todos os fritos, chamem os amigos, tragam bacias, tragam panelas!

A partir das 21h
Preço: módicos R$ 15 por ser bebente

IMPORTANTE: Vocês sabem que depois das 20h só entra na USP com carteirinha, ou dando aquele miguézinho esperto. Vocês conseguem. Mas qualquer coisa, pode ligar nóis: Paulada: 7474-7474 Crovis: 8181-8888

Tuesday, June 23, 2009

CQC - Custe o que Custar: e se a piada for muito cara?

O que fazer quando você se propõe a fazer qualquer coisa que seja, "custe o que custar" e, ao ver que o real custo da piadinha é mais caro que qualquer um possa suportar?

Marcelo Taz provavelmente esteve diante desse dilema durante a elaboração do roteiro do programa exibido na última segunda-feira. O show comandado pelo Tibúrcio lançou o quadro "A Semana do Presidente", explicitamente chupinhado do SBT, com direito a imitação da voz do misterioso Lombardi.

Até aí, nada de mais, a piadinha era essa mesmo, satirizar o famoso programa exibido pela então TVS nos idos de mil novecentos e oitentas e xis. Se bem me lembro, essa era a hora de mudar do canal do Sílvio Santos para a Grobo e curtir os Trapalhões.

Relatando a visita do presidente Lula ao Cazaquistão, a equipe criativa encheu a tela com imagens que lembram Borat, além de outros chavões da internet, como o menino que dança break. Ainda até agora, nada de mais.

Até a hora que o narrador faz a piada mais cara que já passou por ali. Entre piadinhas de colégio como "o Lula foi ao Cazaquistão plantar batatas", o pessoal perdeu a mão e inventou que o presidente havia assinado um acordo com o Cazaquistão, the greatest country in the world. Seguindo o mote de Custe o Que Custar, o acordo consistia na entrega de lixo hospitalar brasileiro para a fabricação de mortadela por parte dos conterrâneos de Borat.

Espero que junto com o lixo hospitalar que mandaremos então pra lá esteja o pinto do mentor espiritual do CQC, talvez teria mais serventia pra mortadela do que pra qualquer outra coisa. Ou a mama esquerda da mãe dele, que vai cair em dois dias devido ao câncer que a zica brava vai botar nela hoje mesmo.

Tá vendo o que dá fazer piada a qualquer custo? Fica feio, fica forçado, fica desreipeitoso, fica a maior coisa de cuzão. Isso deve ser falta de assistir aos Trapalhões. Tô começando a achar que é melhor nem ver a Semana do Presidente pra mudar de canal. Piadinha sem graça, uma pela outra, prefiro na boca do Didi.

Tio Taz: Fica bravo não. Não vou mandar zica pra véinha e tomara que seu bilauzinho tchqui tchuqi permaneça onde está, se é que está. Afinal de contas, somos parentes.

Ouvindo: Cascavelletes - O Dotadão Deve Morrer