Monday, July 03, 2006

Carta importante que acabei de receber agora há pouco

Tinha te prometido fazer uma música em nome dela. Já terminei a primeira estrofe. Mas preciso falar um pouco antes...Porra, bicho, fazia tanto tempo que a gente não se via que nem liguei muito pro que aconteceu no jogo. Faz tempo que eu parei com o futebol, assim como deixei de lado muitas outras coisas que eu gostava nessa vida. Mas assistir a Copa do Mundo com você não dava pra negar. Lembro como se fosse hoje o dia que você foi me ver no Pacaembu, era a minha volta triunfal e ver você, amigo, lá na beira de toda a ação e tirando fotos, foi algo que me tocou muito. Esquece a França, bicho, vai agora com força em busca daquilo que você sempre quis. Eu sei que a gente se engana, tenta convencer que nãoq uer mais isso, que nunca suportou aquilo outro, mas acho que no fim isso tudo é medo mesmo. Medo de mostrar quem somos, que somos fracos, às vezes, mesmo tendo sido forte em tantas outras. Você me contou quando fomos pra Santos, nossa primeira viagem juntos. Ao sol daquela estrada você disse que achava que não tinha mais forças, que seu coração não era mais o mesmo, que já tinha suportado coisas demais e que não tinha forças nem pra chorar. Pois é bicho, mas eu me lembro muito bem de como seus olhos brilhavam quando falava dela. Do quanto era linda, quanto te agradava e te amava. Do quanto ela te fazia feliz, da única fonte de carinho quase incondicional. Falou que ela era quem te fazia acordar, quem te dava vontade de almoçar e sair pra rua enfrentando o que viesse. Sim, você falou isso, e eu percebi que você sentia. Mas no último domingo eu te vi diferente. Seu olhar está mais perdido, busca em qualquer e todo lugar algo que perdeu e te faz falta. Eu sei que você finge que não, que está tudo ok. Mas eu vivi essa saudade por muito tempo da minha vida e, depois de tanta coisa, me dê a chance de um conselho: seja verdadeiro. Você só deve satisfação a você mesmo e as coisas que lhe competem só se realizarão quando você tiver os culhões de ir atrás. Eu mesmo perdi tanto tempo repelindo as pessoas, inventando desculpas como a cor da roupa ou vícios comuns que todos têm e, vê só, estou aqui, com você como meu quase único amigo. Pára com essa mania de jogar fora tudo o que te faz feliz. Vai lá buscar sua felicidade, acho que tudo tem explicação. Fala pra ela o quanto você errou, o quanto você cresceu e como você quer transformar tudo isso em felicidade. Explica pra ela que aquela flor foi o melhor presente do mundo, um balde de água gelada em cima do moribundo que rola na cama sem querer levantar. Fala pra ela que você ainda a ama. Mesmo que seja tarde demias. Mesmo que o tempo tenha criado um espaço instransponível entre vocês dois. Como dizia um amigo meu, tente outra vez. Se for tarde demais, paciência. Pelo menos tente mostrar seu amor, mostre pra ela o que você me mostrou no domingo, em meu show, e, se conseguir, mostre pra ela a pessoa que me conheceu nas curvas da estrada de Santos. Era isso que eu queria dizer pra você bicho. Siga em paz. Segue a primeira estrofe da música. Quando eu terminar, pode deixar que eu te mando.
"Você foi o maior dos meus casos
De todos os abraços o que eu nunca esqueci
Você foi dos amores que eu tive
O mais complicado e o mais simples pra mim"

RC

Ouvindo: Roberto Carlos - As curvas da estrada de Santos

Tuesday, June 20, 2006

O JUCA se foi.....

E fomos campeões no basquete. E eu ganhei um beijo. Tá certo que foi um só, no cantinho do dedo indicador esquerdo, mas foi.
Tudo terminou ao som de Pacal na praça em frente...Do Perequê á Enseada.
Sempre falei sobre a frase "don´t waste your time on jealousy". Acho que estou desperdiçando um pouco da cota que acumulei esses anos todos. Tenho vontade de comprar um litro de Detefon e tochear pelo quarto todo pra ver se o perfume novo some de lá. Acho que hermético é realmente a palavra. E "aquilo que eu tinha" é foda.

Beijos para nossos espectadores e um dia eu juro que escrevo coisas melhores e mais acessíveis.

PS: Encontrei o menino do post anterior e ele disse que já está tudo ok. Não está mais calado e disse que até já achou uns olhinhos verdes onde investir suas energias.

Ouvindo:Papos chatos em um labri lotado - Domínio Público

Wednesday, June 07, 2006

Quase diálogo

- Eu já falei que não é mais pra fazer essas coisas, seu moleque!
- Mas...
- Quantas vezes eu tenho que repetir?
- É que...
- Você não tem conserto mesmo!
- Eu não...
- Você ainda vai pagar por isso, menino!
- É que eu só queria...
- Cala a boca, moleque!

E ele calou. Foi pro seu cantinho, abaixou a cabeça e calou.

Se foi pra sempre que ele calou? Sei lá, ele não responde...

Ouvindo: Novos Baianos - Preta Pretinha

Tuesday, June 06, 2006

Dos tempos antigos...

... que fui confeiteiro em Saravá, pequena cidadezinha no interior longínquo do fim do mundo. Estava só passeando. É, foi isso, tinha saído pra comprar um Marba. Mas não tava fugindo de casa não, era só pra comprar o careta e voltar. E andei. Parei pela primeira vez logo naquela esquina lá perto de casa. Um grupinho jovem revolts discutia. O clima esquentava enquanto garotas baixinhas de saias e botas gritavam sobre o que ele tinha feito com ela. Que ele não prestava, tava fodido. Outras baixinhas de muito rímel gritavam Pára Pára enquanto os vidros cediam aos doces pedidos das mocinhas.

Continuei andando, hipnotizado pelo desejo do maldito. Andei pela cidade descendo avenidas e subindo alamedas, olhando o passo apertados das solas velhas por aí. Subi em ônibus, carros e caminhões. Certo caminhoneiro me disse que lá onde ele ia tinha o que eu queria. E muito mais. Resolvi descer, com medo de achar tudo e não querer mais nada. Segui por outras estradas, menos movimentadas, voltava parta outras mais congestionadas. E um dia parei. Avistei uma vendinha com a propaganda do que eu queria. Pedi. Paguei. E li o anúncio: precisa-se de confeiteiro. Aceitei e virei o confeiteiro oficial de Saravá.

A rotina era simples e o turno era leve. Alguns doces pela manhã, bolos à tarde e sonhos no final do dia. Seu Quim estava feliz. Doces, bolos e sonhos para todos. E o bolso enchendo. Confeitava e pensava sobre a casa, a esquina e as alamedas e as avenidas. Lembrava dos raros sorrisos e da pouca conversa. Os olhares escapavam alcance, até mesmo da memória. Pensava ser melhor assim, enquanto comia mais um sonho, só pra experimentar mesmo. Os doces não caíam mais tão bem. Os bolos eram feitos sob medida, longe da criatividade um dia apresentada. Mas era aquilo que queria. Saravá sempre foi conhecida pela sua hospitalidade, todos dispostos a acolher um novo amigo. E assim fui ficando por lá, criando uns cabritos e umas galinhas. Ganhando dinheiro suficiente para fumar uns cigarros e dar uns passeios na praça.

E foi de repente (pelo menos é assim que os nativos contam)... estava fazendo um bolo, daqueles de noiva, bem enfeitados e coloridos. O aroma de baunilha exalava a felicidade dos noivos. O carro do bifê já estava na porta da vendinha, esperando pela arte final. Parou. Parei. Olhei pros lados e vi que não tinha mais cigarros, nem no bolso nem na vendinha. E saí. Comecei andando por Saravá, lá pertinho do fim do mundo, ônibus, estradas, avenidas e alamedas... E a mesma menina gritando: Pára!

Ouvindo: The Doors - Waiting for the sun

Wednesday, May 31, 2006

Silencio...


Silencio...
No hay banda
No hay orquestra *
No hay Guarda
No hay Russia
No hay nada
No hay
No...

Silencio.

*Mulholland Drive (Cidade dos Sonhos) - David Lynch

Ouvindo: AC/DC - For those about to rock, we salute you

Tuesday, May 23, 2006

Não tenho raiva....

Não tenho raiva. Nem nada disso. Às vezes sinto falta disso. Pulsões cortando minhas veias. Mas só páro, olho e espero. Espero pelo dia que vem chegando. Ele vem chegando, mas a cada dia fica mais longe. Se pelo menos soubesse o que teremos pro almoço nesse dia. Que roupa usar. Pra quem ligar. Com quem contar. E enquanto isso eu espero, olho e escuto tudo. Presto atenção até na minha sombra. Lembro de tudo e de todos, mas me esqueço logo que penso. Penso o dia todo em nada. Me perco na minha pensação. Penso agora se essa palavra existe. Mas não ligo. Não tenho raiva...Nem nada disso.

Ouvindo: Igreja Universal - Ratos de Porão - olha só o refrão...
Histeria coletiva...
Farsa pentecostal....
Hipnose destrutiva...
Atitude anormal!!

Tuesday, May 16, 2006

Vem...

Vem pra rua gambé cuzão. Vem pra cá porque aqui é seu lugar. Fica em casa não, folgado, agora é hora de ser homem. Bate na minha cara, agora tá com medo? Vem pra rua, PM cuzão, é você quem eu quero. Quero te ver na Paulista, quero você na sua base. O oitão não basta mais, cuzão? Vem pra cá, é em você que eu confio. Bota no cu de quem quer te foder, mostra que é macho pra caraio. Honra o Tobias de Aguiar. Vem que o pau é Aqui e Agora. Vem pra rua PM cuzão. Vem que o Datena tá chamando. Vem pra cá, eu tô na rua, mas cadê você? Será que se eu ligar você vem? Vem sim, tá todo mundo esperando. Vem pra rua, PM, o governador falou que tá sussa. Vem. Solta o cu da mão e vem. Sai da tocaia, limpa a cara e vem pra rua, PM cuzão. Vem pra rua gambé cuzão. Vem que eu confio em você. Vem que eu quero ver. Mostra quem manda. Mostra a "otoridade". Fala "teje preso". Bate na cara de cada um desses maloquero. Vem pra rua PM cuzão. Não esconde a farda atrás do armário. Não amarela não que não é hora. Sai desse armário, põe o colete e vem pro pau. Vem pra rua PM cuzão. Vem pra cá que a treta é agora. Vem pra rua. Vem!

Ouvindo: Racionais MC's - Vida Loka parte II
"Porque o Guerreiro de Fé nunca gela,
não agrada o injusto e não amarela...
o Rei dos reis foi traído e sangrou nessa terra,
mais morrê como um homem é o prêmio da guerra,
mais ó, conforme for, se precisá, afogá no próprio sangue, assim será"